Levantamento mostra alta desse grupo e dificuldade de manter empregos
Sexta, 26 de Junho de 2026
Christianne Almeida
Imagem: Ilustrativa / Magnific
O Brasil tem atualmente 6,2 milhões de jovens entre 14 e 24 anos que estão fora da escola e do mercado de trabalho, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). O número representa 18,7% da população dessa faixa etária e cresceu 12,7% em comparação com o fim de 2025, quando esse contingente era de 5,5 milhões.
Ao todo, o país possui 32,9 milhões de jovens. Desse total, 13,9 milhões estão empregados, 12,8 milhões se dedicam exclusivamente aos estudos e outros 4,3 milhões conciliam trabalho e educação.
Os dados também evidenciam os desafios enfrentados por quem busca espaço no mercado de trabalho. A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o índice chega a 25,1%.
Mesmo entre aqueles que conseguem uma vaga, a permanência no emprego ainda é um desafio. Mais da metade dos adolescentes ocupados permanece menos de um ano na mesma função. De acordo com o MTE, baixos salários, contratos temporários, funções de menor qualificação e a busca por melhores oportunidades ajudam a explicar a elevada rotatividade.
A maior parte dos jovens empregados atua em ocupações de baixa qualificação, como vendedor, balconista, escriturário, recepcionista e operador de caixa. Além disso, milhões recebem remuneração de até um salário mínimo e meio.
O levantamento também aponta mudanças no comportamento das novas gerações em relação ao trabalho. A troca frequente de emprego, conhecida como job hopping, tem se tornado mais comum entre jovens que priorizam aprendizado, flexibilidade e melhores condições profissionais. Especialistas avaliam que esse comportamento também reflete as transformações do mercado de trabalho, marcado por vínculos mais instáveis e novas formas de contratação.
Segundo o levantamento, o principal desafio deixou de ser apenas conquistar o primeiro emprego e passou a ser construir uma trajetória profissional consistente, com permanência suficiente para adquirir experiência e crescer na carreira.
