Nas redes sociais, o conselheiro escreveu a frase: "Vamos acabar com as igrejas, pelo bem de nossas crianças!"
Terça, 28 de Julho de 2026
Márcia Pinheiro
Imagem: Ilustrativa / Magnific
O Conselho de Ministros e Pastores Evangélicos de Arraial do Cabo (Compeac), na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, divulgou uma nota de repúdio após uma publicação feita por um conselheiro tutelar gerar forte repercussão nas redes sociais.
Na postagem, publicada na sexta-feira (24), o conselheiro escreveu a frase: "Vamos acabar com as igrejas, pelo bem de nossas crianças!", acompanhada de um texto que relacionava casos de violência sexual envolvendo líderes religiosos à responsabilização de instituições.
A manifestação foi considerada ofensiva pelo Compeac, que afirmou que a mensagem atingiu igrejas, pastores e fiéis que desenvolvem um trabalho sério em favor da proteção da infância e da família. A entidade destacou que repudia qualquer crime cometido contra crianças, mas rejeita generalizações que associem toda a comunidade cristã às ações criminosas de indivíduos.
Após a repercussão, o conselheiro divulgou uma nota de retratação. Segundo ele, a publicação tinha caráter irônico e buscava questionar a generalização da responsabilidade de instituições pelos crimes praticados por alguns de seus integrantes. O conselheiro afirmou que não defendia o fechamento de igrejas nem pretendia atacar a fé cristã. Também pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e ressaltou que a proteção de crianças deve ocorrer em todos os ambientes de convivência, como lares, escolas, instituições religiosas, projetos sociais e atividades esportivas.
Em resposta, o Conselho de Pastores declarou que não pretende estimular conflitos ou discursos de ódio, mas ressaltou que a indignação se deve ao fato de a publicação ter sido feita por um representante eleito para o Conselho Tutelar. A entidade também questionou a origem das estatísticas mencionadas na postagem e destacou o trabalho realizado por igrejas evangélicas na prevenção de abusos, no acolhimento de famílias e na proteção de crianças e adolescentes.
Na nota, o Compeac solicitou que o conselheiro reconheça publicamente que sua publicação atingiu injustamente igrejas e pastores comprometidos com o cuidado da infância. O conselho reforçou ainda que continuará defendendo o livre exercício da fé, a liberdade religiosa e o importante papel desempenhado pelas igrejas na sociedade brasileira.
