Arqueólogos encontraram estrutura monumental e objetos ligados ao culto israelita
Segunda, 06 de Julho de 2026
Márcia Pinheiro
Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Novas escavações realizadas em Siló, antigo sítio arqueológico localizado na Cisjordânia, reforçam a hipótese de que a cidade tenha abrigado o Tabernáculo, onde a Bíblia afirma que a Arca da Aliança permaneceu por mais de 300 anos antes de desaparecer da narrativa bíblica.
A descoberta foi anunciada por arqueólogos da organização Associates for Biblical Research (ABR), que identificaram novas paredes de uma estrutura monumental, além de objetos relacionados às práticas religiosas de Israel e trechos inéditos das fortificações da antiga cidade.
Segundo o diretor das escavações, o arqueólogo Scott Stripling, a identificação da parede sul da construção permitiu definir as dimensões completas do edifício. A estrutura possui orientação leste-oeste e proporções semelhantes às descritas na Bíblia para o Tabernáculo.
Em 2025, a mesma equipe já havia anunciado a descoberta de um edifício compatível com o santuário bíblico. As novas evidências fortalecem essa hipótese, embora os pesquisadores ressaltem que ainda não existe comprovação definitiva.
Entre os objetos encontrados estão chifres de altar, romãs de cerâmica e conchas do molusco murex, utilizadas na produção do corante azul empregado nas vestes sacerdotais descritas nas Escrituras.
O que diz a Bíblia
De acordo com o Antigo Testamento, a Arca da Aliança foi construída por ordem de Deus para guardar as tábuas dos Dez Mandamentos recebidas por Moisés. O objeto sagrado permaneceu no Tabernáculo, um santuário móvel utilizado pelos israelitas durante sua caminhada rumo à Terra Prometida.
Segundo o livro de Josué, após a conquista da terra, o Tabernáculo foi instalado em Siló, onde permaneceu por séculos. A cidade também foi residência do sumo sacerdote Eli e o local onde o profeta Samuel cresceu.
Em 1 Samuel, a Arca é levada ao campo de batalha contra os filisteus, mas acaba capturada pelos inimigos. Após esse episódio, ela retorna a Israel e, mais tarde, desaparece da narrativa bíblica. Sua última referência ocorre antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios, em 586 a.C.
Evidências em Siló
As escavações também revelaram mais de 100 mil ossos de animais, principalmente ovelhas, cabras e bovinos. Muitos pertenciam ao lado direito dos animais, coincidindo com as prescrições do livro de Levítico sobre as porções destinadas aos sacerdotes.
Além disso, os arqueólogos identificaram novos trechos do sistema defensivo da antiga cidade, incluindo um complexo de portões que pode corresponder ao mencionado no relato da morte de Eli.
Outra descoberta foi a de três grandes vasos cananeus, anteriores à ocupação israelita, contendo restos carbonizados de alimentos como azeitonas, trigo e lentilhas.
Apesar dos achados, os pesquisadores enfatizam que não encontraram a Arca da Aliança e que ainda não é possível afirmar que a estrutura descoberta seja, de fato, o Tabernáculo descrito na Bíblia. Segundo a equipe, as evidências arqueológicas são compatíveis com o relato bíblico, mas novos estudos serão necessários para confirmar essa interpretação.
