Estado registra a maior concentração de inadimplentes recorrentes acima de 65 anos entre as principais unidades da federação
Segunda, 22 de Junho de 2026
Eliane Menezes
Imagem: Ilustrativa/Magnific
*Estagiaria sob supervisão de Marcia Pinheiro
Um estudo mostra que o estado do Rio de Janeiro registra a maior concentração de pessoas com mais de 65 anos entre os inadimplentes recorrentes do país. O levantamento feito por uma empresa especializada em inteligência de dados, aponta uma mudança importante no perfil dos consumidores que enfrentam dificuldades financeiras no território fluminense.
O estudo foi realizado com base em aproximadamente 27,6 milhões de CPFs de consumidores acompanhados por empresas de cobrança ao longo de 2025. Entre eles, cerca de 3 milhões são moradores do Rio de Janeiro.Os dados apontam que 23,9% dos endividados recorrentes fluminenses têm mais de 65 anos.
Os números evidenciam uma alteração no comportamento da inadimplência, que tradicionalmente atingia com maior intensidade pessoas em idade produtiva. Agora, o avanço das dívidas alcança uma parcela cada vez maior da população idosa, que geralmente depende de rendimentos fixos provenientes de aposentadorias, pensões e benefícios.
Essa realidade desperta preocupação de especialistas porque limitações de renda podem dificultar a recuperação financeira e tornar mais complexo o pagamento de compromissos acumulados ao longo do tempo.
Na comparação com outros estados de destaque econômico, o Rio aparece à frente. Em São Paulo, os consumidores acima de 65 anos representam 20,18% dos inadimplentes recorrentes. Em Minas Gerais, a participação é de 20,12%, enquanto no Paraná o índice alcança 19,01%.
Outro aspecto observado pela pesquisa é a reduzida presença de jovens entre os consumidores que enfrentam esse tipo de situação financeira. Apenas 3,11% dos inadimplentes recorrentes fluminenses têm até 25 anos, o menor percentual encontrado entre os estados avaliados.
Além da questão etária, os valores das dívidas também chamam atenção. O Rio de Janeiro apresenta a maior mediana de débitos entre os estados pesquisados, atingindo R$ 537,00. Isso significa que metade dos consumidores possui dívidas inferiores a esse valor e a outra metade registra débitos superiores.
A análise também identificou equilíbrio na distribuição por gênero. Os homens representam 50,25% dos inadimplentes recorrentes do estado, enquanto as mulheres correspondem a 49,75%.
Especialistas alertam para medidas necessárias
Para especialistas do setor, o crescimento da participação dos idosos nesse cenário reforça a necessidade de ampliar ações voltadas à educação financeira e à renegociação de dívidas. A avaliação é de que medidas preventivas podem contribuir para evitar o agravamento do endividamento e reduzir situações de superendividamento.
Entre as iniciativas consideradas importantes estão programas de orientação financeira, revisão consciente de contratos, maior controle sobre modalidades de crédito, especialmente o consignado, além da criação de canais mais acessíveis para negociação de débitos.
