Escritório da esposa de Moraes se manifesta pela primeira vez sobre serviços ao Banco Master

Reportagens acusam escritório da advogada Viviane Barci de Moraes de firmar contrato de cerca de R$ 3,6 milhões durante três anos

Terça, 10 de Março de 2026

Márcia Pinheiro


Escritório da esposa de Moraes se manifesta pela primeira vez sobre serviços ao Banco Master

Imagem: Reprodução / Redes Sociais

O escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, divulgou uma nota pública com esclarecimentos sobre a contratação da banca pelo Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.

Segundo o comunicado, o escritório foi contratado para prestar serviços jurídicos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. A banca afirma que realizou consultoria e atuação jurídica com uma equipe de 15 advogados, além de coordenar outros escritórios especializados. Ainda de acordo com a nota, foram promovidas dezenas de reuniões e pareceres jurídicos durante o período de vigência do contrato.

O escritório destacou que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal”, negando qualquer atuação perante a Corte onde Moraes atua como ministro.

Contrato milionário

A manifestação ocorre após reportagens apontarem que o contrato firmado com o Banco Master previa pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões durante três anos, o que poderia alcançar aproximadamente R$ 129 milhões até 2027.

De acordo com a banca, o acordo foi encerrado em novembro de 2025, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição em meio às investigações sobre irregularidades financeiras.

Essa é a primeira manifestação pública da advogada desde que o contrato foi revelado pela imprensa no fim de 2025.

Investigação sobre o Banco Master

O caso ocorre no contexto da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraude financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e outras irregularidades relacionadas ao Banco Master. 

O empresário Daniel Vorcaro foi preso novamente no início de março de 2026 e está detido em presídio federal em Brasília, enquanto as investigações avançam. Autoridades também apuram possíveis tentativas de suborno e acesso a informações sigilosas do sistema financeiro.

Mensagens atribuídas a Vorcaro

A controvérsia também envolve supostas mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025. Prints dessas mensagens foram encontrados no celular do empresário durante as investigações.

O STF, no entanto, informou que as mensagens não foram direcionadas ao telefone do ministro, mas a outros contatos da agenda do empresário, após análise dos dados extraídos do aparelho.

Moraes também negou ter mantido qualquer conversa com Vorcaro sobre o conteúdo das investigações.

Repercussão política

O escândalo envolvendo o Banco Master ampliou a pressão política em Brasília. Parlamentares discutem a criação de comissões para investigar o caso, enquanto o Senado chegou a tentar convocar Vorcaro para prestar depoimento sobre as fraudes e o colapso da instituição financeira.

As apurações continuam em andamento e podem envolver autoridades e instituições do sistema financeiro nacional.