Estudante pode pegar até 10 anos de prisão após afirmar nas redes sociais que homens não podem se tornar mulheres

Jovem escreveu que uma pessoa que se identifica como transgênero mantém seu DNA de nascimento e que cirurgia não alteram esse fato

Segunda, 23 de Fevereiro de 2026

Márcia Pinheiro


Estudante pode pegar até 10 anos de prisão após afirmar nas redes sociais que homens não podem se tornar mulheres

Imagem: Reprodução / ADF International

Uma estudante brasileira que enfrenta de quatro a dez anos de prisão por comentários em redes sociais sobre identidade de gênero compareceu perante um tribunal federal na última semana. A audiência abordou se as postagens configuram “transfobia” criminal de acordo com a legislação brasileira.

O questionamento judicial durante a sessão concentrou-se em saber se as declarações foram publicadas na própria conta de mídia social da ré, e o juiz indicou que o conteúdo parecia refletir uma opinião pessoal em vez de uma intenção discriminatória, concedendo à defesa cinco dias para apresentar conclusões por escrito antes de qualquer decisão, de acordo com o grupo de defesa jurídica  ADF International .

A acusação diz respeito a duas postagens publicadas em novembro de 2020 no X, onde a estudante Isadora Borges afirmou que mulheres transgênero “obviamente nasceram homens” e escreveu que uma pessoa que se identifica como transgênero mantém seu DNA de nascimento e que cirurgia, hormônios ou roupas não alteram esse fato.

Os comentários online chamaram a atenção e motivaram uma denúncia à polícia federal feita pela deputada federal Erika Hilton, que se identifica como transgênero, resultando em uma investigação criminal e posterior processo por duas acusações de transfobia, cada uma com pena potencial de prisão de dois a cinco anos.

As autoridades notificaram Isadora, uma estudante de veterinária de 34 anos da Paraíba, sobre as acusações criminais em setembro de 2025, vários anos após as postagens originais, preparando o terreno para os recentes procedimentos judiciais e a possível pena que pode chegar a uma década de prisão, caso haja condenação em ambas as acusações.

A atenção pública aumentou antes da audiência deste mês depois que Elon Musk republicou comentários sobre o caso no X, trazendo maior foco internacional para o processo e para as questões legais que envolvem a liberdade de expressão online no Brasil.

O advogado de defesa afirmou que a disposição do tribunal em permitir mais argumentos por escrito sugere uma análise cuidadosa das questões legais e factuais, enquanto a ré expressou a esperança de que o tribunal reconheça o direito de expressar opiniões pacificamente sem punição criminal.

O processo se desenrola dentro de um arcabouço legal mais amplo, moldado por uma decisão de 2019 do Supremo Tribunal Federal do Brasil, que equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, estendendo uma lei antidiscriminação já existente para abranger a orientação sexual e a identidade de gênero.

 

*Com informações The Christian Post