Igrejas evangélicas adaptam cultos para jogo do Brasil na Copa e dividem opiniões

Seleção Brasileira enfrenta a Escócia nesta quarta-feira (24) a partir das 19h

Quarta, 24 de Junho de 2026

Márcia Pinheiro


Igrejas evangélicas adaptam cultos para jogo do Brasil na Copa e dividem opiniões

Imagem: Ilustrativa / Gerada com auxílio de IA

A partida da Seleção Brasileira contra a Escócia, nesta quarta-feira (24), às 19h, pela Copa do Mundo de 2026, provocou mudanças na programação de algumas igrejas evangélicas e reacendeu um debate entre os cristãos: é correto alterar ou cancelar cultos por causa de um evento esportivo?

Em Vitória, no Espírito Santo, a Igreja da Praia decidiu suspender o culto que aconteceria às 19h30. O anúncio foi feito pelo pastor Usiel Carneiro, que argumentou que a igreja deve ser entendida como uma comunidade de pessoas e não apenas como uma agenda de reuniões.

Nas redes sociais, o líder afirmou que a espiritualidade não depende exclusivamente dos encontros no templo. Segundo ele, a vida inteira deve ser considerada sagrada e o relacionamento com Deus acontece diariamente. Ao final da mensagem, incentivou os membros a acompanharem a partida da seleção e aproveitarem o momento de lazer.

Já no Rio de Janeiro, a Igreja Batista Atitude adotou uma estratégia diferente. O culto foi antecipado para o início da noite, permitindo que os fiéis participem da reunião e, em seguida, assistam ao jogo juntos em telões instalados na praça de alimentação da igreja. O encontro contará ainda com a presença do ex-jogador e tetracampeão mundial Jorginho, membro da Atitude.

O que a Bíblia diz?

A discussão tem dividido opiniões entre os evangélicos. Alguns cristãos entendem que cancelar ou modificar um culto por causa do futebol demonstra uma inversão de prioridades espirituais.

Entre os textos bíblicos mais citados está Mateus 6:33, onde Jesus ensina: "Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça". Outro versículo frequentemente lembrado é Hebreus 10:25, que incentiva os cristãos a não abandonarem a congregação e a comunhão entre os irmãos.

Por outro lado, há quem defenda que a Bíblia não proíbe momentos de lazer e que o importante é que Deus permaneça em primeiro lugar no coração do cristão. Em Eclesiastes 3:1, o texto afirma que há "tempo para todo propósito debaixo do céu", enquanto 1Coríntios 10:31 ensina que tudo deve ser feito para a glória de Deus.

Especialistas em teologia costumam destacar que a questão não está necessariamente no futebol, mas na motivação do coração. Quando qualquer atividade — esporte, trabalho ou entretenimento — ocupa o lugar que pertence a Deus, ela pode se tornar um ídolo.

Internautas se dividem

Nas redes sociais, as reações foram variadas.

Entre os que apoiaram a decisão da Igreja da Praia, muitos argumentaram que a fé não se resume a um culto presencial. Comentários como "Deus está em todos os lugares" e "a igreja são as pessoas, não o prédio" apareceram com frequência.

Já os críticos consideraram a medida inadequada. Alguns afirmaram que "o culto deveria acontecer normalmente" e que "a seleção não pode ser mais importante do que a adoração a Deus".

A iniciativa da Igreja Batista Atitude recebeu elogios de quem enxergou uma oportunidade de unir espiritualidade e convivência. Outros, porém, questionaram se a adaptação não seria uma forma de a igreja se moldar excessivamente à cultura popular.

Futebol, comunhão e equilíbrio

Em um país apaixonado pelo futebol e onde milhões de pessoas se identificam como evangélicas, a Copa do Mundo frequentemente gera ajustes em horários de cultos, eventos e programações religiosas.

A discussão revela um desafio comum para muitas igrejas: encontrar equilíbrio entre a vida espiritual, a comunhão entre os irmãos e os momentos de lazer. Para a maioria dos líderes cristãos, a questão central continua sendo a mesma ensinada pelas Escrituras: o futebol pode ser apreciado, desde que nunca ocupe o lugar que pertence a Deus.