Presidente da Alerj, Douglas Ruas, fala sobre segurança pública, equilíbrio fiscal e cenário político do Rio

Parlamentar foi recebido pelos diretores da emissora, Fabio Silva e Theo Silva

Segunda, 29 de Junho de 2026

Márcia Pinheiro


Presidente da Alerj, Douglas Ruas, fala sobre segurança pública, equilíbrio fiscal e cenário político do Rio

Foto: Marco Pires / Melodia FM

A Rádio Melodia recebeu, nesta segunda-feira (29), o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Douglas Ruas (PL), para uma entrevista sobre os principais desafios do estado nas áreas de segurança pública, equilíbrio fiscal e cenário político. O parlamentar foi recebido pelos diretores da emisorra, Fabio Silva e Theo Silva. Ao deixar o estúdio ele reencontrou o pastor Paulo Afonso Generoso, de quem recebeu uma oração.

Natural de São Gonçalo, Douglas Ruas é bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e policial civil de carreira. Ele foi eleito deputado estadual em 2022 com 175.977 votos, tornando-se um dos parlamentares mais votados do estado. Antes de assumir a presidência da Alerj, ocupou a Secretaria de Estado das Cidades, onde coordenou investimentos em infraestrutura em dezenas de municípios fluminenses. À frente do Parlamento estadual, tem defendido o fortalecimento institucional da Assembleia, o diálogo entre os Poderes e a construção de soluções para os desafios do Rio de Janeiro. 

Durante a conversa com o apresentador Eliel do Carmo, Douglas Ruas apresentou sua visão sobre a segurança pública, defendendo a retomada de territórios dominados por facções criminosas como eixo central da política de combate ao crime. Também abordou a situação fiscal do estado, as medidas que considera necessárias para equilibrar as contas públicas e comentou o momento político vivido pelo Rio de Janeiro, destacando a importância da estabilidade institucional e do fortalecimento da democracia.

Eliel do Carmo: Presidente, como o senhor avalia o momento atual do Estado do Rio de Janeiro?

Douglas Ruas: O Estado do Rio de Janeiro enfrenta dois grandes desafios: a segurança pública e o equilíbrio fiscal. Se não conseguirmos avançar nessas duas áreas, todas as demais políticas públicas acabam sendo comprometidas. Sem segurança e sem equilíbrio nas contas, a população também sofre com dificuldades no acesso à saúde, educação, assistência social e outros serviços essenciais.

Como o Estado pode enfrentar esses desafios na segurança pública?

Douglas Ruas: Temos debatido esse tema em todo o estado. Desde 2009 existe o Sistema Integrado de Metas da Segurança Pública, seguido por todos os gestores nos últimos 17 anos. Tenho críticas a esse modelo e defendo uma reformulação.

Hoje, os principais indicadores são roubos de veículos, de cargas, a transeuntes, roubos de rua e letalidade violenta. Entendo que precisamos mudar esse foco.

O que precisa ser alterado nesse sistema?

Douglas Ruas: A letalidade violenta reúne homicídios dolosos e mortes decorrentes de intervenção policial, quando o agente atua em legítima defesa. Isso acaba gerando uma punição administrativa ao policial, criando um estímulo ao não enfrentamento do crime organizado.

Além disso, proponho que o principal indicador da política de segurança seja a retomada dos territórios dominados por facções criminosas.

Por que o domínio territorial deve ser a principal meta?

Douglas Ruas: Porque praticamente todos os outros crimes decorrem desse domínio. Um carro roubado, por exemplo, é levado para comunidades controladas por criminosos, onde a polícia encontra dificuldades para recuperá-lo. O mesmo acontece com cargas roubadas, que são levadas para esses locais para serem descarregadas.

Se o Estado retomar o controle desses territórios, haverá uma redução significativa desses crimes.

Como essa retomada pode ser colocada em prática?

Douglas Ruas: O Instituto de Segurança Pública (ISP) já possui esse mapeamento. O comandante do batalhão e o delegado responsável pela área precisam demonstrar que a população voltou a ter liberdade econômica e direito de ir e vir.

Hoje, em muitas comunidades, moradores não podem escolher o provedor de internet, a empresa de TV por assinatura ou até onde comprar um botijão de gás. Além disso, enfrentam barricadas que restringem a circulação. O Estado precisa garantir esses direitos.

A segurança pública também afeta outras áreas?

Douglas Ruas: Sem dúvida. Ela impacta diretamente o funcionamento das escolas, unidades de saúde, o comércio e o desenvolvimento econômico. O chamado "custo Rio de Janeiro" é muito elevado justamente por causa da insegurança, encarecendo seguros e afastando investimentos.

Nosso plano de governo terá a segurança pública como eixo central, porque ela influencia todas as demais áreas.

O senhor também destacou o equilíbrio fiscal como um grande desafio. Qual é o cenário?

Douglas Ruas: Assumi a presidência da Alerj no dia 17 de abril e encontrei uma Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027 prevendo um déficit de R$ 13 bilhões.

Estamos caminhando para o quarto orçamento consecutivo com déficit. Isso significa que o Estado está planejando gastar mais do que arrecada.

O que provocou esse desequilíbrio?

Douglas Ruas: Criamos uma comissão especial para contenção de gastos. A receita do Estado cresceu 21% nos últimos cinco anos, portanto o problema não foi a queda de arrecadação. O problema é que as despesas cresceram ainda mais.

Agora estamos identificando em quais áreas isso aconteceu para propor correções a partir de 2027.

Que medidas o senhor defende para evitar novos déficits?

Douglas Ruas: Defendo mecanismos como um teto de gastos estadual, vinculando o crescimento das despesas ao crescimento da receita.

Se a receita aumentar 10%, a despesa não pode crescer acima disso. Se não houver aumento de arrecadação, a despesa também não deve crescer. É um princípio básico de responsabilidade fiscal.

Como está sua relação com o governador interino?

Douglas Ruas: É uma relação cordial, respeitosa e institucional. O Estado vive um momento de crise institucional desde a renúncia do então governador Cláudio Castro, e todos os poderes precisam atuar com responsabilidade para garantir a continuidade dos serviços públicos.

Qual é sua posição sobre a sucessão no governo do Estado?

Douglas Ruas: Desde o início desse processo defendo a realização de eleições diretas. Entendo que a democracia se fortalece quando a população escolhe seu governante pelo voto.

Na minha visão, interinidade não combina com estabilidade. O ideal é que haja um governo legitimado pela vontade popular.

Apesar desse cenário, o diálogo entre os poderes tem sido mantido?

Douglas Ruas: Sim. Todas as matérias encaminhadas pelo Poder Executivo receberam o devido tratamento na Assembleia Legislativa, respeitando o regimento interno e buscando sempre garantir a continuidade dos serviços públicos para a população.

Presidente, obrigado pela entrevista.

Douglas Ruas: Eu que agradeço a oportunidade de conversar com os ouvintes da Rádio Melodia. Desejo um bom dia a todos os fluminenses, que trabalham diariamente para construir um futuro melhor para o Estado do Rio de Janeiro.