Mudança na logomarca das Mensageiras do Rei gera críticas e mobiliza mulheres batistas

Novo visual anunciado pelas Mulheres Batistas é acusado de descaracterizar a identidade histórica da organização, reconhecida como patrimônio cultural

Quarta, 14 de Janeiro de 2026

Márcia Pinheiro


Mudança na logomarca das Mensageiras do Rei gera críticas e mobiliza mulheres batistas

Imagem: Reprodução / Redes Sociais

A organização Mensageiras do Rei, da Convenção Batista Brasileira, anunciou neste mês de janeiro uma nova forma de se apresentar ao mundo. Em vídeo de apresentação da nova logomarca das Mensageiras do Rei, publicado nas redes sociais da organização, Raquel Zarnotti, diretora executiva das Mulheres Batistas, fala em “um novo tempo”. No entanto, a publicação recebeu diversas críticas de membros da denominação, que afirmam que o novo logo causa a descaracterização da organização. A repercussão negativa foi tanta que os comentários foram apagados e restringidos.

Em 8 de janeiro, a antiga UFMBB também anunciou outras mudanças na estrutura e nas identidades visuais de suas organizações. A MCM passou a se chamar Mulheres em Missão, voltada para mulheres jovens e adultas; Amigos de Missões tornou-se Pequenos Missionários (0 a 8 anos); Mensageiras do Rei mantém o nome para meninas de 9 a 17 anos; e surge o novo ministério Discípulas. O MCM Jovem foi incorporado a Mulheres em Missão, e a UFMBB passou a se comunicar como MB — Mulheres Batistas, com a proposta de ampliar a cooperação entre diferentes ministérios femininos dentro dessa nova estrutura.

Em contato com nossa equipe de jornalismo, a mulher cristã e eterna mensageira Gisele Herdy lembra que a organização, fundada em 1908, assim como os Embaixadores do Rei, é declarada, pela Lei Estadual nº 10.635, de 19 de dezembro de 2024, como patrimônio cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, Gisele reafirma a importância da preservação da identidade histórico-cultural das Mensageiras do Rei e convida outras mulheres batistas a se envolverem na luta pela manutenção da identidade visual.

“A antiga logo é culturalmente conhecida e expressa valores e a identificação cristã das Mensageiras do Rei. Queremos que a logo seja preservada sob princípios e normas gerais de proteção do patrimônio cultural, visto que, embora a referida lei não vede formalmente a mudança da identidade visual, devem ser considerados princípios constitucionais e de política cultural”, afirma Gisele. “A logo é um símbolo visual cultural e identitário das Mensageiras do Rei, reconhecido em todo o país, e sua alteração, sem ampla discussão e votação popular democrática, parece descaracterizar a identidade cultural que deve ser protegida”, completa.

Gisele acredita ser fundamental que o assunto seja levado à 105ª Assembleia da Convenção Batista Brasileira, que acontecerá em Salvador, entre os dias 19 e 25 de janeiro.

No vídeo das Mulheres Batistas, Raquel fala sobre a história das Mulheres Batistas, marcada pela fé em Deus, serviço e discipulado. No entanto, a citação da mudança como um “rebrand” — termo usado no meio publicitário como “reposicionamento de marca” — foi um dos pontos mais polêmicos da publicação. Ao citar esse trecho, uma mensageira do Rei chegou a lamentar o que chamou de “descaracterização da organização missionária”.

Jussara Porfírio, outra mensageira do Rei, chegou a compartilhar uma “nota de insatisfação”, na qual manifesta preocupação com as mudanças. Confira o texto na íntegra:

NOTA DE INSATISFAÇÃO

Como uma eterna Mensageira do Rei, manifesto minha profunda insatisfação, tristeza e preocupação diante das mudanças que vêm sendo realizadas sem a devida escuta das orientadoras que estão à frente do campo missionário e das igrejas, sendo instrumento de Deus na vida das demais mensageiras.

Ainda que haja explicações conceituais sobre a nova identidade visual, entendo que ela não traduz a verdadeira essência das MR. De forma notória, foram deixados de lado elementos essenciais da nossa organização, como as cores, o monograma “MR” e seus contornos. O novo emblema compromete o significado, a identidade e apaga parte da história já construída, apagando um legado que existe desde 1949.

Acredito que mudanças são necessárias; porém, para interligar gerações, não é preciso descaracterizar nossa essência. Decisões desse porte precisam ser construídas junto às orientadoras, com diálogo e participação.

Preservar nossa identidade é fundamental. Somos reconhecidas em muitos lugares, inclusive na América Latina. Essa nova logo desconstrói nossa história.

Jussara Porfírio

Nossa reportagem entrou em contato com a diretora executiva das Mulheres Batistas, Raquel Zarnotti, mas, até a publicação desta notícia, não obteve retorno. Seguimos abertos a ouvi-la.