Relatório 2025 aponta aumento da perseguição religiosa no Ocidente

Dados servem como um chamado de atenção para a Igreja Global

Terça, 13 de Janeiro de 2026

Márcia Pinheiro


Relatório 2025 aponta aumento da perseguição religiosa no Ocidente

Imagem: Ilustrativa / Freepik

Um novo e alarmante levantamento da Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) revela que a liberdade de crer está sob ameaça global. O Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo 2025 aponta que 4,1 bilhões de pessoas — metade da população mundial — sofrem algum tipo de perseguição em 24 países. Mais grave ainda: dois terços da humanidade vivem em nações onde ocorrem violações severas a esse direito fundamental.

O Fenômeno da "Perseguição Polida"

O estudo destaca uma distinção crucial feita originalmente pelo Papa Francisco: a diferença entre a perseguição explícita (violência física e prisões) e a "perseguição polida". Esta última, crescente em democracias ocidentais, manifesta-se através de pressões culturais, legais e internacionais que tentam silenciar a fé no espaço público.

A omissão em agir contra o preconceito anticristão, enquanto outras formas de crimes de ódio são combatidas, é um sintoma claro dessa perseguição polida", afirma o documento.

Alerta na Europa e América do Norte

Diferente de anos anteriores, o relatório de 2025 dá um destaque preocupante ao aumento de incidentes em solo ocidental:

  • Estados Unidos: Houve um aumento notável no vandalismo contra igrejas. A Conferência dos Bispos Católicos dos EUA registrou 56 ataques em 2024 e outros 19 apenas no primeiro semestre de 2025, incluindo o uso de explosivos em um altar na Pensilvânia.

  • França e Grécia: Somente em 2023, a França registrou mil incidentes anticristãos, enquanto a Grécia contabilizou 600 casos de vandalismo em templos.

  • Canadá: Entre 2021 e 2024, 24 igrejas foram alvos de incêndios criminosos.

  • Bélgica: Instituições religiosas enfrentam pressão jurídica para realizar procedimentos contrários aos seus dogmas, como o aborto e o suicídio assistido.

Conflitos e restrições sistemáticas

Na região da OSCE (que engloba Europa e parte da Ásia), países como Armênia, Azerbaijão, Ucrânia e Rússia têm prendido objetores de consciência que se recusam ao serviço militar por convicções religiosas. Já na Turquia, o relatório denuncia restrições sistemáticas ao culto e à liberdade de expressão.

A situação na Oceania

Mesmo em nações tradicionalmente livres, o cenário muda:

  • Austrália: Governos estaduais passaram a exigir que hospitais religiosos encaminhem pacientes para procedimentos de aborto, chegando ao confisco de um hospital católico que se recusou a violar seus princípios.

  • Papua-Nova Guiné: O país vive um debate intenso após ser declarado oficialmente uma "nação cristã", gerando discussões sobre o equilíbrio entre identidade nacional e diversidade. Durante visita em 2024, o Papa Francisco reforçou a necessidade de respeito à dignidade humana e o fim da violência.

O relatório da ACN serve como um chamado de atenção para a Igreja Global. A subnotificação de crimes de ódio contra cristãos no Ocidente — especialmente na Escandinávia e nos EUA — mascara uma realidade de hostilidade ideológica e extremismo que avança silenciosamente sobre as liberdades individuais.