Polícia chinesa interrompe culto e detém mais de 30 cristãos, incluindo crianças

Nos últimos anos, o governo chinês tem intensificado a fiscalização sobre igrejas independentes

Terça, 16 de Junho de 2026

Márcia Pinheiro


Polícia chinesa interrompe culto e detém mais de 30 cristãos, incluindo crianças

Imagem: Ilustrativa / Magnific

Autoridades do Partido Comunista Chinês (PCC) invadiram um culto da Igreja Early Rain Covenant (ERCC), uma das mais conhecidas igrejas domésticas protestantes da China, e prenderam líderes, membros e até crianças no último domingo (14).

Segundo a organização ChinaAid, cerca de 50 a 60 policiais e agentes do governo interromperam a reunião por volta das 11h, na cidade de Jiangyou, no sudoeste do país. Entre os detidos estavam os líderes da igreja, Yan Hong e Wu Wuqing, que foram levados para interrogatório.

A igreja informou que mais de 30 cristãos foram retirados à força do local em viaturas policiais. Apesar da ação, os fiéis continuaram orando, cantando hinos e mantendo a comunhão até que a maioria fosse liberada horas depois.

Relatos apontam que idosos e crianças que permaneceram no culto foram mantidos dentro do salão, submetidos a checagens de identidade e orientados a parar de cantar.

A Early Rain Covenant Church é alvo frequente das autoridades chinesas. Em 2019, seu fundador, o pastor Wang Yi, foi condenado a nove anos de prisão sob acusações de subversão do Estado. A igreja já havia sofrido uma grande operação policial em 2018, quando mais de 100 membros foram detidos.

Bob Fu, fundador da ChinaAid e ex-líder de igreja doméstica na China, classificou a ação como uma grave violação da liberdade religiosa. "A prisão de líderes cristãos, membros da igreja e até crianças por participarem de um culto é um ataque aos direitos humanos fundamentais", afirmou.

Nos últimos anos, o governo chinês tem intensificado a fiscalização sobre igrejas independentes e organizações religiosas que não estão sob controle estatal. Desde 2018, menores de 18 anos também enfrentam restrições para participar de atividades religiosas no país.

A organização Portas Abertas alerta que líderes cristãos que trabalham com crianças e jovens estão entre os principais alvos da perseguição religiosa promovida pelo regime chinês.