Juros do cartão de crédito voltam a subir e mantêm pressão sobre o orçamento das famílias

Taxa do rotativo alcança 432,1% ao ano; cheque especial segue entre os créditos mais caros

Terça, 02 de Junho de 2026

Eliane Menezes


Juros do cartão de crédito voltam a subir e mantêm pressão sobre o orçamento das famílias

Imagem: Ilustrativa/Freepik

*Estagiária sob supervisão de Márcia Pinheiro

Os juros cobrados no crédito rotativo do cartão de crédito registraram nova alta em abril e alcançaram 432,1% ao ano, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central. O percentual representa um aumento de 3,7 pontos percentuais em comparação com março.

O indicador reforça o peso dessa modalidade de crédito sobre as finanças dos brasileiros. Quem não consegue quitar a fatura integralmente e permanece no rotativo pode ver o valor devido crescer de forma acelerada ao longo dos meses, tornando a dívida cada vez mais difícil de ser quitada.

Embora a taxa anualizada divulgada pelo Banco Central seja bastante elevada, a legislação em vigor estabelece um limite para a cobrança de encargos. Desde 2024, o montante total da dívida não pode ultrapassar o dobro do valor originalmente contratado. Dessa forma, um débito de R$ 200, por exemplo, não poderá superar R$ 400 ao final da cobrança.

A autoridade monetária esclarece que os percentuais apresentados em seus relatórios são estimativas estatísticas calculadas a partir das taxas mensais praticadas pelas instituições financeiras, projetadas para um período de doze meses. Por isso, os números não indicam, por si só, irregularidades ou descumprimento da norma pelos bancos.

Cheque especial 

Além do aumento registrado no crédito rotativo, o cheque especial continua figurando entre as modalidades de crédito mais caras do país. Utilizado automaticamente quando o correntista ultrapassa o saldo disponível em conta, o recurso alcançou taxa média de juros de 141,1% ao ano em abril, segundo dados do Banco Central.

O custo elevado faz com que pequenas dívidas cresçam rapidamente. Pelas taxas médias praticadas, um débito de R$ 800 mantido durante um ano sem quitação poderia chegar a aproximadamente R$ 1.928,80. Apesar da praticidade e do acesso imediato aos recursos, especialistas recomendam cautela no uso da modalidade, reservando-a para situações emergenciais e por períodos curtos.

Consignado

Diante dos custos elevados do cartão de crédito e do cheque especial, muitos consumidores têm buscado alternativas com juros mais baixos. Entre elas está o empréstimo consignado, modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício previdenciário.

Em abril, a taxa média do consignado foi de 28,2% ao ano, após uma leve alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Ainda que também tenha registrado aumento, o percentual permanece significativamente inferior ao observado nas linhas de crédito mais caras do mercado.

As condições variam de acordo com o perfil do tomador. Aposentados e pensionistas do INSS têm acesso a uma das menores taxas, de 23,9% ao ano. Entre os servidores públicos, a média ficou em 23,7% ao ano. Já os trabalhadores da iniciativa privada enfrentam custos mais elevados, com juros de 56,3% ao ano.

Mesmo sendo considerado uma alternativa mais acessível, especialistas alertam que o consignado exige planejamento financeiro. Como as parcelas são descontadas automaticamente da renda do contratante, a modalidade reduz o valor disponível para despesas mensais e pode comprometer o orçamento em caso de endividamento excessivo.