Fenômeno também ameaça rios e populações ribeirinhas da região
Terça, 07 de Julho de 2026
Christianne Almeida
Imagem gerada por IA
*Estagiária sob supervisão de Marcia Pinheiro
Os efeitos do fenômeno El Niño em 2026 podem ser os mais intensos desde o início da série histórica, em 1950. A confirmação da formação do chamado Super El Niño foi feita pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), após o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial atingir níveis considerados suficientes para caracterizar o fenômeno.
Na Amazônia, os impactos podem ser significativos. Entre as principais consequências previstas estão secas severas, redução dos níveis dos rios, aumento da propagação de incêndios florestais e maior vulnerabilidade das populações ribeirinhas, que dependem dos cursos d’água para transporte, abastecimento e subsistência.
Segundo a NOAA, a temperatura média das águas do Pacífico já está 0,7°C acima do normal. A agência estima ainda que há 63% de probabilidade de o aquecimento se intensificar e atingir níveis muito fortes entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Na região conhecida como Niño 1+2, próxima às costas do Peru e do Equador, a anomalia da temperatura do mar já chega a 2,7°C acima da média. De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, o índice é semelhante ao registrado durante o forte El Niño de 1997 e superior ao observado em 2015 no mesmo período.
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Esse aquecimento altera os padrões de ventos e chuvas em diferentes partes do planeta. No Brasil, os efeitos variam conforme a região: no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, há redução das chuvas e aumento das temperaturas, favorecendo secas e queimadas. Já no Sul, o fenômeno costuma provocar chuvas intensas, elevando o risco de enchentes e deslizamentos. No Sudeste e no Centro-Oeste, as ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes, acompanhadas de baixa umidade do ar.
