Segurança e privacidade lideram motivos para adiar o aparelho
Sexta, 03 de Julho de 2026
Christianne Almeida
Imagem: Ilustrativa / Magnific
*Estagiária sob supervisão de Marcia Pinheiro
O número de crianças brasileiras de 10 a 13 anos que possuem telefone celular caiu pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados, divulgados apontam que 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular em 2025, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Segundo a pesquisa, a principal razão para que os responsáveis optem por não dar um celular às crianças passou a ser a preocupação com privacidade e segurança. O motivo foi citado por 32% dos entrevistados, um crescimento de 7,8 pontos percentuais em comparação com 2024 e quase o dobro do registrado em 2022, quando o preço do aparelho era o fator mais mencionado.
O analista do IBGE Gustavo Fontes destaca que a faixa de 10 a 13 anos foi a única a apresentar queda na posse de celulares em 2025. Nas demais idades, o uso continuou em expansão, alcançando 89,8% da população brasileira.
A pesquisa também identificou uma leve redução no acesso à internet entre crianças dessa faixa etária, passando de 84,9% para 84,4%. Entre aquelas que permanecem desconectadas, a falta de necessidade continua sendo o principal motivo, enquanto as preocupações com segurança e privacidade aparecem em segundo lugar.
Em contrapartida, o levantamento mostrou avanço significativo da inclusão digital entre os idosos. Em 2025, 74,5% das pessoas com mais de 60 anos utilizavam a internet, alta de 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. O percentual de idosos com telefone celular também cresceu, passando de 78,3% para 80,3%.
Entre os idosos que ainda não utilizam internet ou celular, a principal dificuldade apontada é a falta de conhecimento sobre como usar a tecnologia. De acordo com o IBGE, a crescente digitalização de serviços públicos, bancários e comerciais tem incentivado esse público a buscar maior familiaridade com os recursos digitais.
O estudo também revela mudanças no comportamento dos brasileiros conectados. Em 2025, pela primeira vez, mais da metade dos usuários de internet afirmou comprar ou encomendar produtos e serviços pela rede. Além disso, o acesso a instituições financeiras e a serviços públicos pela internet continuou em alta, refletindo a presença cada vez maior da tecnologia no cotidiano da população.
