69% das pessoas com enxaqueca no Brasil não fazem acompanhamento médico

Pesquisa aponta abandono do tratamento e falta de prevenção da doença

Quarta, 08 de Julho de 2026

Christianne Almeida


69% das pessoas com enxaqueca no Brasil não fazem acompanhamento médico

Imagem: Ilustrativa / Magnific

*Estagiária sob supervisão de Marcia Pinheiro 

A maioria das pessoas diagnosticadas com enxaqueca no Brasil não mantém acompanhamento médico para controlar a doença. É o que revela a pesquisa inédita Radar da Enxaqueca, segundo a qual 69% dos pacientes convivem com a condição sem acompanhamento regular. Desse total, 43% chegaram a procurar atendimento, mas interromperam o tratamento ao longo do tempo.

O levantamento, realizado pela Imagem Corporativa em parceria com a Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (ABRACES), também mostra que 42% dos entrevistados tratam apenas as crises, sem adotar estratégias preventivas para reduzir a frequência e a intensidade das dores.

Entre os principais obstáculos para o tratamento preventivo estão a falta de informação, apontada por 24% dos participantes, o medo de efeitos colaterais (21%), a ausência de indicação médica (17%) e o alto custo da terapia (16%).

Outro dado que chama atenção é o uso frequente de medicamentos sem orientação profissional. Embora 77% dos entrevistados utilizem remédios prescritos durante as crises, 64% também fazem uso de medicamentos sem prescrição médica.

Segundo o neurologistas, a enxaqueca é uma doença neurológica incapacitante que exige acompanhamento contínuo e individualizado. Tratar apenas os episódios de dor aumenta o risco de cronificação da doença, piora da qualidade de vida, impacto emocional e uso excessivo de medicamentos.

A pesquisa também evidencia desigualdades no acesso ao tratamento. Entre pessoas com plano de saúde, 39% realizam acompanhamento médico, enquanto o índice cai para 28% entre aqueles que dependem exclusivamente do sistema público. Além disso, 35% dos pacientes sem acompanhamento procuram o SUS apenas durante as crises, e 26% afirmam nunca ter realizado tratamento regular para a enxaqueca.

O estudo foi realizado em duas etapas. A primeira ouviu 2 mil brasileiros com 16 anos ou mais em 132 municípios para estimar a prevalência da enxaqueca no país. A segunda entrevistou 408 adultos com diagnóstico formal da doença para avaliar o impacto da condição, o acesso ao tratamento e a continuidade do cuidado.