Levantamento também aponta restrições severas em três países onde líderes religiosos são presos
Terça, 21 de Julho de 2026
Márcia Pinheiro
Imagem: Ilustrativa / Magnific
Mesmo diante do aumento da perseguição religiosa, o cristianismo continua avançando em alguns dos países mais hostis à fé cristã. É o que revela o Índice Global de Perseguição 2026, da organização americana International Christian Concern (ICC), que monitora violações à liberdade religiosa no mundo.
Segundo o relatório, cerca de 380 milhões de cristãos enfrentam perseguição todos os anos. Ainda assim, igrejas clandestinas, redes de discipulado e evangelização pela internet têm impulsionado o crescimento da fé em nações onde seguir a Cristo pode resultar em prisão, tortura ou morte.
Apesar da crescente repressão, o cristianismo continua a crescer em lugares inesperados", destaca o ICC.
O Irã é apontado como um dos principais exemplos. O movimento de igrejas domésticas é considerado um dos que mais crescem no mundo, mesmo com cristãos convertidos do islamismo sendo presos e, em alguns casos, condenados à morte.
Na China, os cristãos continuam se reunindo em casas e por meio de plataformas digitais criptografadas para escapar da vigilância do governo.
Já na Índia, o relatório denuncia o aumento da violência contra cristãos promovida por grupos extremistas hindus e o avanço de leis anticonversão em 13 estados. Entre julho de 2024 e julho de 2025, mais de 1.100 cristãos foram expulsos de suas casas, além de 276 casos de agressões físicas e psicológicas registrados pelo ICC.
Mesmo diante desse cenário, a organização afirma que há crescimento constante nas conversões e no discipulado em países como Índia e Paquistão, com reuniões realizadas em residências, vilarejos isolados e comunidades online.
Na Coreia do Norte, considerada um dos países que mais perseguem cristãos no mundo, pequenas igrejas clandestinas seguem funcionando em segredo, promovendo cultos, transmissões de rádio e distribuição de materiais cristãos.
A África também concentra altos índices de perseguição. Na Nigéria, onde grupos extremistas como Boko Haram e Estado Islâmico da Província da África Ocidental atuam, o relatório contabilizou mais de 500 cristãos mortos e cerca de 500 ataques a igrejas no período analisado. Apesar da violência, comunidades continuam reconstruindo templos e realizando cultos.
O levantamento também aponta restrições severas na Nicarágua, Cuba e Eritreia, onde líderes religiosos são presos, igrejas sofrem limitações e cristãos permanecem detidos por anos apenas por praticarem a fé.
O ICC monitora 22 países, dos quais 13 são classificados como Países de Preocupação Especial devido ao elevado nível de perseguição religiosa. A organização ressalta que os números registrados representam apenas uma parte dos casos, já que muitas violações ocorrem sem qualquer documentação oficial.
