Baixo número de denúncias preocupa especialistas no estado
Quinta, 23 de Julho de 2026
Christianne Almeida
Imagem: Ilustrativa / Magnific
*Estagiária sob supervisão de Marcia Pinheiro
O estado do Rio de Janeiro já contabiliza 29.699 violações contra a mulher em 2026, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania referentes aos primeiros sete meses do ano. Apesar do elevado número de violações registradas, apenas 3.631 protocolos de denúncia foram formalizados, evidenciando a diferença entre os casos de violência e as denúncias efetivamente realizadas.
Medo ainda impede denúncias
A advogada Andrea Souza explica que o medo continua sendo um dos principais fatores que impedem as vítimas de buscar ajuda. Segundo ela, dependência emocional e financeira, receio de represálias, vergonha e desconhecimento sobre os próprios direitos contribuem para que muitas mulheres permaneçam em silêncio.
“Muitas acreditam que não terão acolhimento ou que a denúncia não vai mudar sua realidade”, afirma a especialista.
Avanços e desafios da Lei Maria da Penha
Andrea destaca que, ao longo de quase duas décadas, a Lei Maria da Penha representou um avanço importante na proteção das mulheres, ao garantir medidas protetivas, atendimento prioritário e mecanismos para responsabilizar os agressores. No entanto, ela ressalta que a efetividade da legislação depende da sua aplicação, da fiscalização e da confiança das vítimas nas instituições.
Prevenção e autonomia
Para a especialista, o enfrentamento da violência exige mais do que medidas jurídicas. Ela defende investimentos contínuos em políticas públicas de prevenção e acolhimento, além de ações que promovam a independência financeira das mulheres.
Segundo Andrea, ampliar o debate sobre igualdade de gênero nas escolas, nas famílias e nos ambientes de trabalho também é essencial para prevenir a violência e romper ciclos de abuso.
Canais de apoio
A professora reforça a importância dos canais de atendimento, como a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, e da Polícia Militar, pelo 190, que podem ser o primeiro passo para interromper o ciclo da violência.
“O silêncio não protege, ele perpetua. A mulher precisa ser acolhida, não julgada. A denúncia pode ser o primeiro passo para salvar uma vida”, conclui Andrea Souza.
