Semana do Meio Ambiente: plantio de mil mudas ajuda a recuperar manguezal no Rio de Janeiro

Ação reúne professores e especialistas para a revitalização de área degradada da Baía de Guanabara; projeto já retirou 450 toneladas de lixo

Sexta, 05 de Junho de 2026

Eliane Menezes


Semana do Meio Ambiente: plantio de mil mudas ajuda a recuperar manguezal no Rio de Janeiro

Imagem: Divulgação/Águas do Rio

*Estagiária sob supervisão de Marcia Pinheiro
Como parte da programação da Semana do Meio Ambiente, professores da rede pública e especialistas participaram, nesta quarta-feira (3), do plantio de mil mudas de mangue-vermelho e mangue-branco no Caju, na zona Portuária do Rio. A ação faz parte do projeto Mangue Alegria, que atua na restauração das àreas degradadas às margens da Baía de Guanabara. 

Desenvolvida pela Águas do Rio em parceria com o biólogo Mário Moscatelli, a iniciativa busca restaurar um dos ecossistemas mais importantes para biodiversidade fluminense. Desde o início do projeto, em 2023, já foram retiradas cerca de 450 toneladas de resíduos sólidos da região e plantadas 19,6 mil mudas nativas cultivadas em um viveiro próprio.

Os manguezais desempenham papel fundamental na preservação ambiental. Além de ajudarem a reduzir os impactos das mudanças climáticas por meio da captura de carbono, eles funcionam como berçários naturais para diversas espécies de peixes, crustáceos e aves. De acordo com os responsáveis, a meta do projeto é recuperar 8,2 hectares de vegetação, o equivalente a cerca de oito campos do Maracanã. Atualmente, um hectare da área já foi restaurado.  

A atividade também reuniu cerca de 30 professores da rede pública, participantes de um programa de educação ambiental que incentiva a conscientização sobre a preservação dos rios e Baía de Guanabara. 

Para Moscatelli, responsável técnico pela condução do plantio e pela recuperação da área, a intervenção comprova a capacidade de regeneração da natureza quando recebe as condições adequadas.

"O objetivo principal do projeto Mangue Alegria é contribuir para a recuperação desse ecossistema, que é absolutamente essencial para a vida marinha e o equilíbrio ambiental da Baía de Guanabara. A resposta da natureza é muito rápida e vigorosa quando assumimos o compromisso de parar de sufocar o ambiente com o acúmulo de plásticos e materiais recicláveis. Pesquisas revelam que o potencial de sequestro de carbono de um hectare de manguezal equivale ao de dez hectares de floresta tropical, além de servir de berçário para diversas espécies. Isso é renovação", explica o biólogo.

Os resultados já podem ser observados no local. Áreas antes marcadas pelo acúmulo de lixo e pela degradação ambiental agora apresentam vegetação em crescimento e o retorno de espécies nativas, como caranguejos e aves, demonstrando o avanço do processo de regeneração do ecossistema.