Aumento no número de fumantes reacende alerta sobre riscos do tabaco e da DPOC

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica afeta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo e representa a terceira principal causa de morte global

Sexta, 29 de Agosto de 2025

Márcia Pinheiro


Aumento no número de fumantes reacende alerta sobre riscos do tabaco e da DPOC

Imagem: Ilustrativa / Freepik

Criado para conscientizar a população sobre os riscos do tabaco e seus derivados, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, ganha este ano um alerta adicional: pela primeira vez desde 2007, o Brasil registrou crescimento significativo no número de fumantes. Dados do Ministério da Saúde apontam aumento de 25% entre 2023 e 2024, revertendo a tendência de queda registrada nas últimas décadas.

Esse cenário preocupa especialistas, já que o tabagismo continua sendo um dos maiores problemas de saúde pública. Além de estar diretamente associado à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) – condição que afeta cerca de 300 milhões de pessoas no mundo e representa a terceira principal causa de morte global e a quinta no Brasil – o consumo de tabaco é responsável por aproximadamente 85% dos casos de câncer de pulmão, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, compromete a fertilidade, prejudica a saúde bucal e acelera o envelhecimento da pele.

DPOC e impacto na saúde

A DPOC é caracterizada por sintomas respiratórios crônicos, como falta de ar, tosse persistente e produção excessiva de muco, decorrentes de alterações nas vias respiratórias que levam à obstrução progressiva do fluxo de ar. Embora não tenha cura, a doença pode ser tratada e controlada.

O tratamento busca reduzir sintomas, prevenir crises e retardar a progressão da doença por meio de uma combinação de farmacoterapia adequada, reabilitação pulmonar e capacitação médica continuada. Essas medidas são capazes de melhorar a qualidade de vida, reduzir hospitalizações e até mesmo diminuir a mortalidade associada à doença.

Apesar disso, 70% dos brasileiros com DPOC permanecem sem diagnóstico, o que atrasa o início do tratamento e aumenta o risco de complicações graves. “A intervenção precoce é essencial para prevenir crises que podem levar à hospitalização e à progressão acelerada da doença”, afirma o Dr. Bernardo Maranhão (CRM RJ 52 54416-4), médico pneumologista e gerente de Grupo Médico da biofarmacêutica GSK.

Exacerbações da DPOC

As crises da DPOC, chamadas de exacerbações, impactam fortemente a vida do paciente. A recuperação pode levar semanas e, quanto mais frequentes e graves, maior o risco de complicações severas e de redução da capacidade funcional.

Impacto social e econômico

Somente em 2022, a DPOC foi responsável por mais de 43 mil óbitos registrados no SUS. O tabagismo, principal fator de risco, custa ao Brasil cerca de R$ 153 bilhões por ano em despesas com saúde e perda de produtividade, enquanto a arrecadação de impostos com a venda de cigarros corresponde a apenas 5% desse valor, segundo dados do Ministério da Saúde.

Medidas de prevenção

A principal medida de prevenção continua sendo o fim do tabagismo. Além disso, ações como:

  • Campanhas educativas contínuas para reduzir a iniciação entre jovens;

  • Aumento de impostos sobre cigarros e derivados para desencorajar o consumo;

  • Ambientes livres de fumo, protegendo não fumantes da exposição passiva;

  • Apoio psicológico e medicamentoso para quem deseja parar de fumar;

  • Promoção de hábitos saudáveis, como prática de atividade física e alimentação balanceada.

Essas estratégias, somadas aos avanços no acesso a terapias eficazes e à personalização do manejo clínico, são fundamentais para reduzir o número de fumantes e conter o avanço da DPOC no Brasil.