​​​​​​​PF deflagra operações contra esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Movimentações ilícitas que passam de R$ 23 bilhões, segundo investigações

Quinta, 28 de Agosto de 2025

Márcia Pinheiro


​​​​​​​PF deflagra operações contra esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Imagem: Ilustrativa / Freepik

A Polícia Federal (PF), com apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (28) duas operações simultâneas — Quasar e Tank — em vários estados, para desarticular grupos criminosos que atuavam na cadeia produtiva de combustíveis.

Segundo a PF, as investigações identificaram sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro, com forte impacto financeiro e indícios de ligação com facções criminosas.

De acordo com a corporação, os envolvidos utilizavam fundos de investimento e transações simuladas de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real. O objetivo era ocultar os verdadeiros beneficiários, blindar patrimônios e disfarçar a origem ilícita dos recursos.

 

Operação Quasar

No âmbito da Quasar, estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, incluindo a capital, Campinas e Ribeirão Preto.

A Justiça Federal também autorizou o sequestro de fundos de investimento e determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados, até o limite de R$ 1,2 bilhão — montante correspondente às autuações fiscais já aplicadas. Além disso, houve o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

Operação Tank

Paralelamente, a PF cumpre mandados da Operação Tank, que mira uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná. Segundo as investigações, a organização criminosa atua desde 2019 e pode ter lavado ao menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede de centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.

Entre os métodos utilizados estavam depósitos fracionados que superaram R$ 594 milhões, realizados por meio de “laranjas”, transações cruzadas, repasses sem lastro fiscal, fraudes contábeis e simulações de aquisição de bens e serviços.

As investigações também apontaram fraudes na comercialização de combustíveis, como a adulteração de gasolina e a chamada “bomba baixa”, prática em que o volume abastecido é inferior ao registrado. Pelo menos 46 postos de combustíveis em Curitiba estariam envolvidos.

Nesta quinta-feira, os agentes cumprem 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, resultando em uma constrição patrimonial superior a R$ 1 bilhão.