Críticas de políticos aos pedidos de orações contrastam com a defesa de líderes religiosos
Sexta, 29 de Agosto de 2025
Márcia Pinheiro

Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Parlamentares e figuras influentes do Partido Democrata criticaram os pedidos de orações às vítimas do ataque a tiros em uma igreja e escola católica na quarta-feira (27), que culminou na morte de duas crianças em Minneapolis, no estado americano de Minnesota.
"Essas crianças provavelmente estavam orando quando foram mortas a tiros em uma escola católica. Não nos deem seus pensamentos e orações de m*. Trump se livrou do Escritório de Prevenção e Violência Armada. Trump destruiu os recursos que estavam disponíveis para manter nossas comunidades seguras", escreveu o deputado democrata Maxwell Frost, da Flórida, nas redes sociais.
Além do deputado pela Flórida, a democrata Rosa DeLauro, de Connecticut, disse que "pensamentos e orações não são suficientes — o Congresso precisa agir para acabar com a violência armada".
Jen Psaki, apresentadora da MSNBC e ex-porta-voz dos ex-presidentes democratas Barack Obama e Joe Biden, também criticou o pedido por orações pelas vítimas do atentado. "A oração não é suficiente. Orações não acabam com tiroteios em escolas. Orações não fazem os pais se sentirem seguros mandando seus filhos para a escola. Orações não trazem essas crianças de volta. Chega de pensamentos e orações", escreveu no X.
As palavras de Psaki chegaram ao governo americano, e a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, retrucou, afirmando que suas declarações eram desrespeitosas com aqueles que acreditam no poder da oração.
Apesar das críticas, líderes religiosos e representantes de diferentes comunidades cristãs ressaltaram que a oração, embora não substitua políticas públicas de segurança, tem um papel essencial no consolo, na força espiritual e na união de famílias e comunidades em tempos de dor. A fé, segundo eles, não elimina a necessidade de ações concretas, mas ajuda as pessoas a encontrarem esperança, conforto e resiliência diante da tragédia. “A oração é um ato de solidariedade espiritual. É quando nos colocamos diante de Deus em favor dos que sofrem. E, mesmo em meio ao luto, é por meio dela que muitos encontram forças para não sucumbir ao desespero”, afirmou o arcebispo de Saint Paul e Minneapolis, Bernard Hebda.
As autoridades afirmaram que o ataque foi realizado por Robin Westman, de 23 anos, que nasceu com o nome Robert, mudou de nome em cartório em 2020 ao se identificar como mulher e se matou após atirar contra as crianças.
Autoridades como a secretária do Departamento de Segurança Nacional, Kristi Noem, e o diretor do FBI, Kash Patel, chamaram Westman de "monstro".
Antes do tiroteio, Westman publicou um manifesto em uma série de vídeos no YouTube nos quais fez ameaças contra Trump, comentários antissemitas e avisou que planejava atacar uma escola católica. As filmagens foram retiradas do ar enquanto as imagens são usadas como parte da investigação federal.
De acordo com as autoridades de saúde de Minnesota, uma criança permanece em estado crítico e mais duas pessoas estão em situação grave após serem feridas no tiroteio.