Pesquisadores reinterpretam duas inscrições com cerca de 3.800 anos encontradas no Egito
Quinta, 28 de Agosto de 2025
Márcia Pinheiro

Imagem: Ilustrativa / Criada com IA ChatGPT
Não há dúvidas sobre a importância de Moisés para a fé judaica e cristã. A Bíblia apresenta Moisés como o grande libertador do povo de Israel: ele foi chamado por Deus para conduzir os israelitas para fora da escravidão no Egito (Êxodo 3:10), abriu o Mar Vermelho com a ajuda do Senhor (Êxodo 14:21-22), guiou o povo pelo deserto durante 40 anos e recebeu diretamente de Deus os Dez Mandamentos no Monte Sinai (Êxodo 20). O próprio livro de Deuteronômio declara que “nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecera face a face” (Deuteronômio 34:10).
Apesar de sua relevância espiritual, muitos historiadores ao longo dos séculos colocaram em dúvida a existência histórica de Moisés, principalmente pela escassez de evidências arqueológicas diretas. No entanto, uma nova descoberta pode mudar esse cenário.
Pesquisadores estão reinterpretando duas inscrições com cerca de 3.800 anos encontradas em Serabit el-Khadim, uma antiga mina de turquesa na Península do Sinai, no Egito. Essas inscrições, datadas por volta de 1.800 a.C., foram originalmente escavadas pelo renomado arqueólogo Sir William Flinders Petrie no início do século 20 e são escritas no sistema proto-sinaítico, considerado um dos primeiros alfabetos conhecidos.
O detalhe surpreendente é que uma dessas inscrições pode conter referência a um personagem chamado “Moisés”. Além disso, algumas inscrições mencionam o nome “El”, que na Bíblia Hebraica é usado para se referir ao Deus verdadeiro (Gênesis 33:20; Salmos 22:1). Curiosamente, outras citações mencionam a deusa semítica Ba’alat, algumas vezes até riscadas, possivelmente sinalizando um conflito religioso entre os trabalhadores da mina — algo que remete à própria narrativa bíblica de Israel, onde havia constante luta entre adorar ao Senhor ou seguir divindades pagãs.
Se essa nova interpretação for confirmada, pode representar uma das primeiras evidências históricas que apontam para a existência de Moisés, fortalecendo ainda mais a narrativa bíblica e lembrando aos cristãos que “a palavra do Senhor é verdadeira, e todas as suas obras são fiéis” (Salmos 33:4).