Tribunal japonês barra casamento entre pessoas do mesmo sexo

Decisão reforça valores tradicionais em um país que enfrenta uma das piores crises de natalidade do mundo

Sexta, 19 de Dezembro de 2025

Márcia Pinheiro


Tribunal japonês barra casamento entre pessoas do mesmo sexo

Imagem: Ilustrativa / Freepik

Um tribunal de Tóquio decidiu no dia 28 de novembro que a proibição do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Japão é constitucional, contrariando decisões recentes de outras cortes do país que vinham questionando a legislação tradicional japonesa sobre o matrimônio.

Segundo a agência de notícias Kyodo, a Corte rejeitou uma ação movida por oito pessoas que solicitavam cerca de um milhão de ienes em indenização (aproximadamente R$ 34 mil), alegando que o Código Civil japonês, ao não reconhecer uniões entre pessoas do mesmo sexo, violaria a Constituição. Para os magistrados, no entanto, a legislação atual permanece em conformidade com os princípios constitucionais do país.

Nos últimos anos, outros cinco tribunais superiores — incluindo os de Osaka e Fukuoka — haviam entendido que a proibição “de fato” do casamento entre pessoas do mesmo sexo poderia ser considerada inconstitucional, o que gerou um cenário de divergência jurídica. Diante disso, o tema deverá ser analisado pela Suprema Corte do Japão, responsável pela palavra final sobre a questão.

De acordo com o jornal Mainichi, a juíza Ayumi Higashi, responsável pelo veredito em Tóquio, destacou que eventuais mudanças nas leis relacionadas ao casamento devem ser debatidas e decididas no Parlamento japonês, e não impostas pelo Judiciário.

O Japão é atualmente o único país do G7 que não reconhece legalmente o casamento entre pessoas do mesmo sexo nem uniões civis equivalentes. O tema ganha ainda mais relevância em um contexto de grave crise demográfica, marcado por baixíssimas taxas de natalidade, envelhecimento acelerado da população e políticas governamentais de incentivo à formação de famílias e ao aumento do número de nascimentos. Especialistas alertam que a preservação da família tradicional e o estímulo à natalidade são fatores centrais para o futuro econômico e social do país.

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