Faculdades de medicina evitam responder se apenas mulheres podem engravidar

Debate envolveu sexo biológico, identidade de gênero e diretrizes adotadas por escolas de medicina para o atendimento a pacientes transgênero

Quinta, 16 de Julho de 2026

Márcia Pinheiro


Faculdades de medicina evitam responder se apenas mulheres podem engravidar

Imagem: Ilustrativa / Magnific

Durante uma audiência no Comitê de Educação e Trabalho da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, líderes de duas das principais faculdades de medicina do país evitaram responder diretamente se apenas mulheres podem engravidar.

A deputada republicana Mary Miller questionou os reitores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), Dr. Sam Hawgood, e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), Dr. Steve Dubinett, sobre materiais didáticos que orientam estudantes a utilizarem expressões como "pessoas grávidas" em vez de "mulheres grávidas" e a não presumirem a identidade de gênero dos pacientes.

Ao ser perguntado se uma mulher não biológica já havia dado à luz, Hawgood afirmou que pessoas que se identificam como transgênero podem engravidar, destacando que a universidade atende pacientes transgênero. Miller insistiu que sua pergunta se referia ao sexo biológico e classificou a resposta como "ridícula".

A parlamentar também criticou orientações da UCSF que, segundo ela, recomendam respeitar a identidade de gênero autodeclarada de crianças, mesmo em situações de conflito com os pais. Hawgood respondeu que a universidade segue as leis estaduais e federais e realiza avaliações psicológicas e de saúde mental nesses casos.

Já o reitor da UCLA foi questionado sobre um comunicado acadêmico que menciona pessoas com útero que não se identificam como mulheres. Dubinett disse não conhecer o documento, mas afirmou que a instituição ensina biologia e presta atendimento a pessoas transgênero em conformidade com a legislação.

Ao final da audiência, Mary Miller acusou as faculdades de utilizarem políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) para promover conceitos de identidade de gênero na formação médica, afirmando que essas diretrizes estariam sendo apresentadas como parte do acesso à saúde.